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Novas idéias para a produção rural

04/10/07 - 17:42

Este ano assentamentos rurais e aldeias indígenas de seis municípios de Mato Grosso do Sul participaram das oficinas promovidas pela iniciativa do “Programa de Fomento à Projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural para Agricultores no Território da Reforma”. Agricultores(as) do Andalucia, que fazem parte do Ceppec, realizam as ações apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. A idéia das oficinas é mostrar como conservar o Cerrado e incentivar os Arranjos Produtivos Locais, grupos da mesma comunidade que juntos pensam como organizar a produção rural de seus assentamentos.


Os 11 municípios beneficiados (veja o mapa) abrigam mais de 50 assentamentos. São cerca de 8.700 famílias distribuídas em quase 200 mil hectares. Essa região pode se tornar um corredor de produção importante para a agricultura familiar do estado. As discussões do projeto e a assistência técnica ajudam na construção de um plano de negócios para o agroextrativismo sem degradação, ou seja, sustentável. Em cada local foi discutido como diversificar a produção sem prejudicar o Cerrado e um grupo ficou encarregado de buscar como colocar em prática o que foi apontado. Procure o Ceppec para saber quem pode lhe informar no seu assentamento.


Nas oficinas, os participantes apontaram as ameaças ao Cerrado e várias alternativas de produção (ver quadro na pág. 1), como os frutos do Cerrado, gerados quase sem custo ou cuidado com a terra. São plantas nativas, acostumadas ao clima, ao solo e resistentes às pragas. Em MS, existe mercado para os frutos, ervas e peças artesanais do Cerrado, mas vêm de outras regiões Em MS ainda é preciso organizar essa produção.

INICIATIVAS
No assentamento Monjolinho, em Anastácio, o grupo Cerrado Vivo, formado por cinco famílias, está experimentando plantas nativas e conservando as matas. Na oficina do assentamento São Manoel, o grupo mostrou as plantas testadas na culinária como mangaba, jatobá, macaúba e cumbaru, além de ervas medicinais. Dona Maria Lúcia Oliveira Camargo teme a extinção das ervas. “A macela, a cancorosa, por causa do desmatamento não conseguem sair mais. Quando vão colher, arrancam o pé todo, aí acaba, né? E isso não pode fazer, tem que tirar uma parte, colher as sementes, semear”.

 

POTENCIAIS PARA ALIMENTOS E/OU ARTESANATO:

Cumbaru, buriti, bacuri, bocaiúva, cajuzinho-do-cerrado, fiação de algodão, fibras vegetais (palhas), guavira, jatobá, jenipapo, mel, pequi, pitanguinha-do-cerrado, plantas medicinais (cancoroza, masela e outras), sementes nativas,  taboa e turismo rural.

AMEAÇAS AO CERRADO E SUA GENTE:


Plantio de Cana – Áreas do Cerrado estão sendo desmatadas para o plantio de cana-de-açúcar para abastecer as usinas de álcool.

Desmatamento - O desmate mal planejado prejudica a produção e provocou exôdo rural. Áreas de reserva foram desmatadas  causando erosão, redução de animais e córregos secos.
 
Carvão vegetal - matas nativas estão sendo queimadas para produção de carvão vegetal para uso da siderurgia (produção de metais).

Eucalipto – além da queima das matas nativas, a monocultura do eucalipto para produzir carvão provoca o desmate de grandes áreas.

Pecuária – a retirada da vegetação para o pasto empobrece o solo e causa erosão, assoreamento dos córregos e perda de água. 



Autor: Yara Medeiros
Fonte: Boletim Cerrado Em Pé - Número 1 


 
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