Artesã de Caarapó ministra curso de fiação e corantes naturais
30/10/07 - 18:00
De 4 a 8 de outubro a artesã Josefa Marques Mazarão ministra o Curso de Fiação de Algodão e Produção de Corantes Naturais para 15 mulheres do assentamento Andalúcia, em Nioaque (MS). O objetivo é profissionalizar os núcleos de fiação, tecelagem e de corantes do Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado – Ceppec, criado por famílias do assentamento. Com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), através do programa de Fomento a Projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural, as assentadas receberão treinamento para preparar e fiar o algodão cru e extrair corantes naturais a partir de madeiras, frutos e folhas de espécies nativas e da agricultura familiar presentes na região. Um dos resultados do curso será o desenvolvimento de um catálogo de corantes naturais, com a participação das mulheres, que será ilustrado pelo artista plástico Tom Barbosa, de Campo Grande.
A ministrante do curso, Josefa Marques, aprendeu as técnicas de fiação há cerca de 10 anos e há seis participa do Centro de Desenvolvimento Artesanal, uma associação criada por mulheres organizadas de Caarapó (MS). Com apoio do Sebrae, as artesãs de Caarapó aprenderam as técnicas básicas para extração de tinturas naturais. A partir de então, foram aperfeiçoando a tecnologia que retira da natureza todas as cores necessárias para o tingimento de fios e tecelagens. Quase todos os corantes são obtidos a partir do reaproveitamento ou uso sustentável dos recursos naturais como é o caso do pó-de-serra de madeiras como de jatobá, ipê-roxo e cajarana, obtidos em marcenarias e serrarias de Caarapó. A erva-mate, uma planta nativa da região, a palha da cebola e outras plantas também são utilizadas para a extração das tintas.
Desde 2002 ambos grupos produtivos de mulheres artesãs, um em Caarapó e outro em Nioaque, trocam experiências e acreditam na possibilidade de intercâmbios para o crescimento dos negócios. O Ceppec, no assentamento Andalucia, já é uma referência em Mato Grosso do Sul no desenvolvimento rural ecologicamente correto. Em todos os processos de produção, seja na culinária, no artesanato e tecelagem, são utilizadas e desenvolvidas tecnologias que não agridem ou que causam o menor impacto negativo ao meio ambiente. Além da valorização dos conhecimentos das tecelãs que moram no assentamento, o Ceppec desenvolve tecelagens com fibras vegetais da palha de milho, palmeira, taboa e até bananeira.
Já o Centro de Desenvolvimento Artesanal, em Caarapó, mantém hoje um núcleo com 15 mulheres na produção de fios e artesanato com lã de carneiro e outro com 10 mulheres artesãs que trabalham com madeira, crochê, tricô e pintura em tecido. Os principais compradores da produção são empresas de São Paulo e Rio de Janeiro. Atualmente o centro busca apoio de equipamentos para oferecer cursos profissionalizantes para jovens mulheres em situação de risco e vulnerabilidade.