Extrativismo sustentável é implantado em 50 assentamentos e aldeias indígenas de MS
11/03/08 - 13:02
Finaliza nesta semana o "Programa de Fomento a Projetos de Assistência
Técnica e Extensão Rural para Agriculturas(es) Familiares no
Território da Reforma (MS)", que beneficiou 400 pessoas de 50
assentamentos e aldeias indígenas de Mato Grosso do Sul. De 12 a 14 de
março, no município de Nioaque, acontece o Seminário Final para
Elaboração Participativa do Plano de Continuidade do programa. Com
apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), as Ongs A Casa
Verde e o Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado
(Ceppec) implementaram, pela primeira vez no Estado, o extrativismo
sustentável. Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Anastácio, Jardim, Bonito,
Bodoquena, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Bela Vista, Terenos e
Maracaju são os 11 municípios que integram, segundo o Programa Nacional
de Territórios Rurais (Governo Federal), a região denominada de
Território da Reforma Agrária, área foco das ações.
O programa acontece desde maio de 2007 e obteve como principais
resultados a implementação de um corredor de extrativismo, produção de
produtos de comunicação (catálogo, site, logomarca, programa de rádio,
boletins impressos, folder, banner), diversificação na produção rural,
implementação de boas práticas de manejo extrativista, recuperação de
áreas degradadas e ações contra a desertificação no Cerrado.
Segundo a coordenadora do programa, Rosane Bastos, quatro espécies
nativas do Cerrado estão sendo trabalhadas na linha de produção de
alimentos do Cerrado: o cumbaru ou baru (chamado de
castanha-do-cerrado), o pequi, a bocaiuva e o jatobá. "O uso desses
frutos na alimentação e comercialização, por exemplo em Nioaque e Campo
Grande e Anastácio, são uma conquista do programa", afirma Rosane
Bastos.
O próximo passo dos assentamentos é levantar o potencial dos frutos no
Território da Reforma Agrária com potencial de mercado e implementar um
plano de negócios, que prevê a produção e comercialização de espécies
do Cerrado abundantes na região, ricas em nutrientes e vitaminas, sem
desmatamentos ou degradação ambiental. Os assentamentos Andalucia e
Monjolinho, por exemplo, já comercializam produtos como farinhas,
castanhas e artesanatos em feiras da economia solidária.
Ao mesmo tempo em que os assentamentos e aldeias indígenas do programa
melhoram a segurança alimentar, diversificam a produção e ainda ganham
renda com o Cerrado, também contribuem com a conservação de uma grande
riqueza de biodiversidade presente no bioma e que se perde a cada
desmatamento. Somente nos 11 municípios que integram o projeto da A
Casa Verde e Ceppec existem cerca de 30 espécies (recursos
não-madeireiros) medicinais, alimentícias e úteis ao artesanato.
"Estamos fornecendo assistência técnica com olhar diferenciado em
relação aos recursos naturais", revela a coordenadora Rosane Bastos.
Da castanha-do-cerrado (Cumbaru) se extrai carvão, de sua polpa faz-se
ração animal (suplemento) e a castanha torrada pode ser comida como
aperitivo ou utilizada como farinha em bolos, biscoitos, sorvetes e
outros alimentos. Do pequi é extraído o óleo, a castanha e a polpa. Com
o jatobá é possível fazer tinta para corantes naturais, remédios e
utilizar a farinha em alimentos. Muitas mulheres do campo criaram seus
filhos com mingau de farinha de Jatobá. Já a bocaiúva, também muito
freqüente no Cerrado de Mato Grosso do Sul e apresentando verdadeiras
florestas de bocaiuvais, pode enriquecer os alimentos e diversificar a
culinária.
Com investimentos de cerca de R$ 150 mil da Secretaria da Agricultura
Familiar (SAF) / Ministério do Desenvolvimento Agrário, o "Programa de
Fomento a Projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural para
Agriculturas(es) Familiares no Território da Reforma (MS)" tem
parcerias com a Rede Cerrado de Ongs, Centro de Apoio Sócio-Ambiental
(Casa), UFMS, Instituto HSBC Solidariedade, ISPN (Instituto Sociedade,
População e Natureza), Prefeitura Municipal de Nioaque e associações
dos assentamentos e aldeias indígenas beneficiados.